|
Artigo: Quando a resposta é: - Não!
Por Profª Janete Teixeira Dias
Um não redondo e sonoro explode na cara, bate na cabeça, quebra as pernas, faz rodopiar mil vezes, atordoa, dá vertigem, dor de cabeça, náuseas. Um não bem grande e cheio, daqueles que espantam os sonhos e nos enchem de medos e de tristeza. Um não maior que a capacidade de sorrir de tudo, maior que a determinação de levar a vida na boa, um não daqueles que dói no osso, dói na alma, abre feridas, queima, arde, faz sangrar. Quem já recebeu um não desses na vida?
É possível que alguém, pela pouca idade, não tenha vivenciado uma situação dessas. Isso faz com que até duvide que algo assim possa acontecer. Entretanto, para aqueles que, de alguma forma, já passaram por essa situação, sabem que é preciso fazer um grande esforço para se tirar algum aprendizado sempre que um cenário pouco favorável como esse se descortina a nossa frente. Mas como é difícil!
A vida é generosa e quase sempre diz “sim” a todos nós, e daí surge um desacostumar com os limites, com as barreiras, com as oposições, as objeções, os “nãos”. E quando eles teimam em surgir, causam estragos na autoconfiança, na auto-estima.
Por vezes até podemos ter consciência da possibilidade de nossos planos, sonhos, desejos não virem a se concretizar. Mas somos movidos pela esperança e apesar de considerarmos a possibilidade do não, tudo o que mais desejamos é receber uma resposta positiva para nossos investimentos, sejam eles de energia, afetos, finanças.
Mas, nem sempre as coisas saem como imaginamos e daí acontece, a resposta chega e ela é um não.
Então, como reagir diante de um não? Será que existe uma receita boa, daquelas infalíveis? Pode até ser que exista, mas creio que ela ainda é desconhecida da maioria dos mortais. Entretanto, é possível compartilhar algumas pequenas artimanhas que são utilizadas quando se está diante de uma resposta negativa às nossas expectativas .
O não pode ser para uma oportunidade de trabalho, para um projeto profissional, para um aumento de salário, para uma promoção, para a aquisição de um bem, para mais autonomia ou liberdade de ação, pode ser inclusive para um relacionamento afetivo. Qualquer que seja a situação, será sempre uma barreira a ser transposta.
Uma negativa gera muitas vezes um sentimento de frustração, que pode vir seguido de uma vontade de destruir o objeto ou a pessoa responsável pelo impedimento às nossas ações. Contudo, dar asas a essa agressividade não é uma boa estratégia. Nessas horas, vale o velho conselho que nos convida a respirar fundo e contar até dez, ou até mil se for o caso. A raiva não é uma boa companheira, nem boa conselheira. Daí, pensemos em outras alternativas de ação.
Há vezes em que a saída é simplesmente sentar e chorar diante de um “não”. Chorar, muito. Vem-nos um sentimento de pequenez, como se fôssemos a menor de todas as pessoas. Acha-se que o mundo está contra nós, um pequeno complô para provocar nossa desestruturação. Ninguém nos ama e ninguém pode nos ajudar. Bem, daí resta-nos chorar e deixar que as lágrimas lavem nossa alma e nos acalmem, trazendo a paz ao nosso coração, para que depois, apaziguados e com o olhar mais límpido, seja possível enxergarmos a situação de uma outra forma e encontremos uma nova oportunidade para prosseguir em nosso projeto de vida.
Outras vezes podemos simplesmente desistir, exercitar o desapego. Largar de mão. Ir procurar outros interesses. Deixar de lado, deixar pra trás, deixar por menos, não dar mais bola, desinteressar-se, deletar. Abrir mão para não sofrer. Nem sempre é fácil, mas é uma saída que pode funcionar.
Mas há momentos em que vale a pena lutar, procurar desesperadamente reverter o não e obter um sim precioso. São momentos intensos, de estratégia, de pausas e silêncios cheios de significados, momentos de ansiedade, angústia e incerteza. Momentos densos, de uma força imensa, de um desejo enorme de ver os caminhos travados se descortinarem em uma linda estrada florida e cheia de bem-aventurança. Quando conseguimos nos manter firmes na busca por nossos sonhos, ao conquistá-los uma sensação de força nos invade. Nem sempre perseverar é sinônimo de conquista, mas é uma ação que na maioria das vezes pode ser coroada com êxito.
|